sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A arte de pintar para catequizar

A ERA CRISTÃ: A CRUCIFICAÇÃO DE JESUS.

AS EXPRESSÕES ARTÍSTICAS DOS PRIMEIROS CRISTÃOS, PODEM SER SITUADAS ENTRE OS FINAIS DO SÉCULO I E O SÉCULO VI.

Fatos importantes:
- SÉCULO II AO V d.C.
- NASCIMENTO DE JESUS CRISTO.
- PODER ENFRAQUECIDO DO IMPÉRIO ROMANO.
- SOLDADOS ROMANOS PERSEGUEM OS CRISTÃOS.
- HOMENS COMUNS FAZIAM PINTURAS SIMPLES, PARA PROPAGAR O CRISTIANISMO.

A arte cristã, como expressão simples e simbólica, originou-se dos cristãos, seguidores dos ensinamentos de Jesus Cristo. Surgiu, então, a Arte Cristã primitiva.
Com o nascimento de Cristo, uma nova era ameaçou os romanos, desencadeando a perseguição aos cristãos e seu "Rei Espiritual" e "Profeta". Esta fase de perseguição ficou registrada nas catacumbas, onde os cristãos celebravam seus cultos.
Esta perseguição marcou a primeira fase da Arte Cristã: a fase catacumbária, que recebe este nome devido às catacumbas, cemitérios subterrâneos em Roma. Estas catacumbas se localizavam em Roma e as pinturas simbólicas expressavam bem os sentimentos da época.
A simbologia das pinturas feitas nas catacumbas trazia peixes, ovelhas, cordeiros, todos com intuito de traduzir nossas passagens bíblicas, Jesus, o Pastor, e seus seguidores.
A perseguição aos cristãos levou três séculos, até o período do imperador Constantino, que reconheceu o Cristianismo como religião, dando início à segunda fase da arte cristã, que envolveu a utilização das basílicas para suas celebrações. Tanto os gregos como os romanos adotavam um modelo de edifício denominado “Basílica”- eram edifícios com grandes dimensões: um plano retangular de quatro a cinco mil metros quadrados, com três naves separadas por colunas e uma única porta na fachada principal.

FUNÇAO DA ARTE:
A ARTE ESTAVA A SERVIÇO DE UM OBJETIVO: A DIVULGAÇÃO DO CRISTIANISMO.
TINHA UMA FUNÇAO DIDÁTICA.

Para entender melhor...
PORQUE ARTE PRIMITIVA?
COM O NASCIMENTO DE CRISTO, UMA NOVA ERA AMEAÇOU OS ROMANOS, DESENCADEANDO A PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS E SEU “REI ESPIRITUAL” E “PROFETA”. ESTA FASE DE PERSEGUIÇÃO FICOU REGISTRADA NAS CATACUMBAS ONDE OS CRISTÃOS CELEBRAVAM SEUS CULTOS. ESTAS CATACUMBAS SE LOCALIZAM EM ROMA E AS PINTURAS SIMBÓLICAS EXPRESSAM BEM OS SENTIMENTOS DA ÉPOCA.
PARA OS CRISTÃOS SE ESCONDEREM DOS SOLDADOS ROMANOS, COMEÇARAM A SE REFUGIAR NAS CATACUMBAS. NESTE LOCAL FAZIAM SEUS CULTOS E PINTAVAM, NAS PAREDES DAS CATACUMBAS, CENAS BÍBLICAS COM INTENÇÃO DIDÁTICA.
ASSIM, NAS PAREDES E NOS TETOS DESSAS GALERIAS FORAM REGISTRADAS AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES DE PINTURA CRISTÃ, E ESTAS NÃO ERAM EXECUTADAS POR GRANDES ARTISTAS, MAS POR HOMENS DO POVO, CONVERTIDOS A NOVA RELIGIÃO. A ARTE PRIMITIVA, RÚSTICA E SIMPLES NAS CATACUMBAS.

 
-DESENHOS:
OS DESENHOS ERAM FEITOS DE MODO A CATEQUISAR O POVO NÃO LETRADO, TRAZIAM CENAS BÍBLICAS COM INTENÇÃO DIDÁTICA.

-ICONOGRAFIA:
É A REPRESENTAÇÃO DE UMA IMAGEM, INSPIRADA NA TRADIÇÃO BÍBLICA E INTRODUZ NAS ARTES DECORATIVAS UM SENTIDO DOUTRINAL E PASTORAL.

-SIMBOLOGIA:
A SIMBOLOGIA DAS PINTURAS EXIBE PEIXES, OVELHAS, CORDEIROS, QUE TRADUZEM NOSSAS PASSAGENS BÍBLICAS, JESUS, O PASTOR E SEUS SEGUIDORES.
OS CRISTÃOS CRIARAM UMA SIMBOLOGIA PRÓPRIA: PÃO E VINHO, CORDEIRO...

Fonte: Adaptado do blog artesvisuaisatps

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O início da Arte Cristã



Após a morte de Jesus Cristo, a pregação do ideário cristão recaiu sobre os ombros dos discípulos do Primeiro Século. Com o passar do tempo, a ação dos discípulos se mostrou eficaz e determinou a divulgação dos valores cristãos para outras partes do Império Romano.
Para os dirigentes romanos, a divulgação do cristianismo era uma séria ameaça aos valores e interesses do império. A crença monoteísta, ou seja, a um único deus, era contrária ao culto de divindades romanas, entre as quais se destacava o próprio culto ao imperador de Roma.
Dessa forma, os cristãos passaram a ser perseguidos das mais variadas formas. Eram torturados publicamente, lançados ao furor de animais violentos, empalados, crucificados e, até mesmo, queimados em vida. Para redimir e orar pelos seus mártires, os cristãos passaram a enterrá-los nas chamadas catacumbas. Estas funcionavam como túmulos subterrâneos onde os cristãos poderiam entoar canções e pintar imagens que manifestavam sua confissão religiosa.


A pintura elaborada no interior das catacumbas era rodeada de uma simbologia que indicava a forte discrição do culto cristão naquele momento. O mais recorrente símbolo era o crucifixo, que rememorava a disposição que Jesus teve de morrer pela salvação dos homens. A âncora significava o ideal de salvação. O peixe era bastante comum, pois a variação grega do termo (“ichtys”) era a mesma das iniciais da frase “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.
O desenvolvimento desse tipo de expressão artística acabou permitindo a execução de cenas cada vez mais complexas. Algumas cenas do texto bíblico começaram a tomar conta da parede das catacumbas. Entretanto, a imagem mais representada era a do próprio Jesus Cristo. Na maioria das vezes, o exemplo maior do cristianismo era simbolizado com um pastor entre as ovelhas. Tal alegoria fazia menção à constante importância que a ação evangelizadora tinha entre os cristãos.
Essa fase inicial da arte primitiva não foi dominada por algum artista específico. A maioria das representações encontradas foi executada por anônimos que desejavam expressar suas crenças. A falta de um saber técnico anterior à concepção de tais obras marcou essa fase inicial da arte cristã com formas simples e bastante grosseiras.


Adaptado do texto de Rainer Sousa, retirado do site Brasil Escola.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Contos Africanos: A lua feiticeira e a filha que não sabia pilar



A lua tinha uma filha branca e em idade de casar. Um dia apareceu-lhe em casa um monhé pedindo a filha em casamento. A lua perguntou-lhe:
— Como pode ser isso, se tu és monhé? Os monhés não comem ratos, nem carne de porco e também não apreciam cerveja... Além disso, ela não sabe pilar.
O monhé respondeu:
— Não vejo impedimento porque, embora eu seja monhé, a menina pode continuar a comer ratos e carne de porco e a beber cerveja... Quanto a não saber pilar, isso também não tem importância, pois as minhas irmãs podem fazê-lo.
A lua, então, respondeu:
— Se é como dizes, podes levar a minha filha que, quanto ao mais, é boa rapariga.
O monhé levou consigo a menina. Ao chegar na casa foi ter com a sua mãe e fez-lhe saber que a menina com quem tinha casado comia ratos, carne de porco e bebia cerveja, mas que era necessário deixá-la à vontade naqueles hábitos. Acrescentou também que ela não sabia pilar, mas que as suas irmãs teriam a paciência de suprir essa falta.
Dias depois, o monhé saiu para o mato à caça. Na sua ausência, as irmãs chamaram a rapariga (sua cunhada) para ir pilar com elas para as pedras do rio e esta desatou a chorar.
As irmãs censuraram-na:
— Então tu te põe  a chorar por te convidarmos a pilar? Isso não está bem! Tens que aprender porque é trabalho próprio das mulheres.
E, sem mais conversas, pegaram-lhe na mão e conduziram-na ao lugar onde costumavam pilar.
Quando chegaram ao rio puseram-lhe o pilão na frente, entregaram-lhe um maço e ordenaram que pilasse.
A rapariga começou a pilar, mas com uma mágoa tão grande que as lágrimas não paravam de lhe escorrer pela cara. Enquanto pilava, ia se lamentando:
— Quando estava em casa da minha mãe não costumava pilar. Ao dizer estas palavras, a rapariga, sempre a pilar e juntamente com o pilão, começou a sumir-se pelo chão abaixo, por entre as pedras que, misteriosamente, se afastavam. E foi mergulhando, mergulhando... até desaparecer.
Ao verem aquele estranho fenômeno, as irmãs do monhé abandonaram os pilões e foram correr e contar à mãe o que acontecera. Esta ficou assustada com a estranha novidade e tinha o coração apertado de receio quando chegou o monhé, seu filho.
Este, ao ouvir o relato do que acontecera à sua mulher, ralhou com as irmãs, censurando-as por não terem cumprido as suas ordens. Apressou-se a ir ter com a lua, sua sogra, para lhe dar conta do desaparecimento da filha.
A lua, muito irritada, disse:
— A minha filha desapareceu porque não cumpriste o que prometeste. Faz como quiseres, mas a minha filha tem de aparecer!
— Mas como posso ir ao encontro dela se desapareceu pelo chão abaixo?
A lua mudou, então, de aspecto e, mostrando-se conciliadora, disse:
— Bom, vou mandar chamar alguns animais para se fazer um remédio que obrigue a minha filha a voltar. Vai para o lugar onde desapareceu a minha filha e espera lá por mim.
O monhé foi-se embora e a lua chamou um criado ordenando:
— Chama o javali, a paca, a gazela, o búfalo e o cágado e diz-lhes que compareçam, sem demora, nas pedras do rio onde desapareceu a minha filha.
O criado correu a cumprir as ordens e os animais convidados apressaram-se para chegar ao lugar indicado. A lua também para lá se dirigiu com um cesto de alpista. Quando chegou ao rio, derramou um punhado de alpista numa pedra e ordenou ao porco que moesse.
O porco, enquanto moía, cantou:
— Eu sou o javali e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!
Nesse momento ouviu-se a voz cava da menina que, debaixo do chão, respondia:
— Não te conheço!
O javali, despeitado, largou a pedra das mãos e afastou-se cabisbaixo. Aproximou-se em seguida a paca e, enquanto moía, cantou:
— Eu sou a paca e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!
Ouviu-se novamente a voz da menina que dizia:
— Não te conheço!
A gazela e o búfalo ajoelharam também junto do moinho, fazendo a sua invocação, mas a menina deu a ambos a mesma resposta:
— Não te conheço!
Por último, tomou a pedra o cágado e, enquanto moía, cantou:
— Eu sou o cágado e estou a moer alpista para que tu, rapariga, apareças ao som da minha voz!
A menina cantou, então, em voz terna e melodiosa:
— Sim, cágado, à tua voz eu vou aparecer!...
E, pouco a pouco, a menina começou a surgir por entre as pedras do rio, juntamente com o pilão, mas sem pilar. Quando emergiu completamente, parou e ficou silenciosa.
Os animais juntaram-se todos, curiosos, à volta da menina.
Então, a lua disse:
— Agora a minha filha já não pode continuar a ser mulher do monhé, pois ele não soube cumprir o que me prometeu. Ela será, daqui para o futuro, mulher do cágado, pois só à sua voz é que ela tornou a aparecer.
Então o cágado levantou a voz dizendo:
— Estou muito feliz com a menina que acaba de me ser dada em casamento e, como prova da minha satisfação, vou oferecer-lhe um vestido luxuoso que ela vestirá uma só vez, pois durará até ao fim da sua vida. E, dizendo isto, entregou à menina uma carapaça lindamente trabalhada, igual à sua.
Da ligação do cágado com a filha da lua é que descendem todos os cágados do mundo.


Eduardo Medeiros (org.). Contos populares moçambicanos, 1997
Fonte: Para gostar de ler.