segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A fotografia em canção

A fotografia é um meio de expressão comumente presente na vida das pessoas. É uma forma de expressão que costuma gerar diversas influências e trabalhar os sentimentos e as ideias, ou seja, é um elemento que marca e modifica situações e pessoas, exercendo assim sua presença enquanto artes.
Abaixo, descubra algumas músicas que falam sobre a fotografia. É legal perceber como as histórias cantadas mostram a importância e o papel da fotografia na vida das pessoas.

“Vou colecionar mais um soneto / Outro retrato em branco e preto / A maltratar meu coração” Chico Buarque.

“O retrato do artista quando moço / Não é promissora, cândida pintura / É a figura do larápio rastaquera / Numa foto que não era para capa / Uma pose para câmera tão dura / Cujo foco toda lírica solapa … É uma foto que não era para capa / Era a mera contracara, a face obscura / O retrato da paúra quando o cara / Se prepara para dar a cara a tapa” Chico Buarque.

“E quando o dia não passar de um retrato / Colorindo de saudade o meu quarto / Só aí vou ter certeza de fato / Que eu fui feliz / O que vai ficar na fotografia / São os laços invisíveis que havia / As cores, figuras, motivos / O sol passando sobre os amigos / Histórias, bebidas, sorrisos / E afeto em frente ao mar.” Leoni / Léo Jaime.

“Você não sabe mais eu tenho uma foto sua / Que eu fico olhando o tempo inteiro / Querendo você pra mim / Ás vezes me pego perdida / Andando pelas ruas, e a sua imagem / Continua onde eu vou, é sempre assim … Ás vezes fico tão ligada na fotografia / Que parece até, que o seu olhar está querendo me dizer / Que um dia pode ser real a minha fantasia / Que ao seu lado na fotografia, eu iria aparecer” Paula Fernandes.

“Mas eu aqui, eu aqui morrendo / Desaparecendo, como uma foto de Polaroid / Eu morro mais ou morro menos / Tanto fez, você não veio mesmo / Não veio…” Isabella Taviani.

“Te vejo em minha vida / Como um retrato marrom / São lembranças perdidas / De um passado e tudo bom” Ney Matogrosso.

“Sou assim, sem tirar nem por / Num retrato, pb ou cor / Foi um click que me pegou / E num flash me revelou” Fernanda Porto.

“No porta retrato / A gente se abraçando / Momentos que ficaram / Difíceis de esquecer” Edson e Hudson.

“Hoje eu chorei em meu quarto / ao ver seu retrato lindo / Na parede, é tanta saudade” César Menotti e Fabiano.

"Fotografei, você não viu/Verdade no meu olhar/Felicidade não sorriu/Fingiu somente que estava lá/ (...) Não paro, passo, faço, me encontro/Num retrato três por quatro/Não me enquadro ao teu lado, não." Móveis Coloniais de Acaju

“Tudo nessa casa só lembra nós dois / Foto na estante um namoro a dois” Cláudia Leitte.

Tem uma letra que mostra exatamente a imensidade do poder de uma fotografia. É a história de uma criança que se recupera de um problema graças à fotografia do avô. Se chama “O Milagre da Foto”, música de César e Paulinho. Veja parte dela:

“Foi ai que eu me lembrei que eu tinha uma fotografia/Peguei e dei pro menino pra ver se ele se entretia/Quando ele pegou a foto já sorriu de alegria/Apertando contra o peito essas palavras dizia/Meu querido vovôzinho quanto tempo eu não te via/Com toda sua inocência falava pro retratinho/Volte de novo comigo meu querido vovozinho/Desde que o senhor foi embora eu fiquei aleijadinho/É grande meu sofrimento eu não sei andar sozinho/Volte de novo comigo pra guiar os meus passinhos/E naquele mesmo instante meu filho se levantou/Com o retrato na mão pelo quarto ele andou/Daquela fotografia uma lágrima botou/E mesmo depois de morto meu querido pai chorou/Foi um milagre da foto o meu filhinho sarou.”

Texto baseado em um post do blog mandinhabhz

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Saiba mais sobre texto narrativo

O principal objetivo do texto narrativo é contar algum fato. E o segundo principal objetivo é que esse fato sirva como informação, aprendizado ou entretenimento para o leitor. A narração, portanto, visa sempre um receptor.

Um texto narrativo é um texto no qual é contada uma história, através de um narrador, que pode ser personagem, observador ou onisciente.

Estrutura

Um texto narrativo geralmente é organizado da seguinte forma:

Situação inicial: Os personagens e o espaço são apresentados.

Estabelecimento de um conflito: Um acontecimento modifica a situação apresentada e desencadeia uma nova situação a ser resolvida, que quebra a estabilidade de personagens e acontecimentos.

Clímax: Ponto de maior tensão na narrativa.

Epílogo: Solução do conflito, o que nem sempre significa um final feliz.

Apesar de possuir uma estrutura usual, uma narração é bem livre e pode ser organizada de formas diferentes, dependendo do estilo de texto.

Mas, o que faz um texto narrativo ser interessante, prender a nossa atenção e nos mostrar que forma um todo?

O que faz o texto narrativo ser interessante é a existência de uma sequência de fatos que vão sendo costurados uns aos outros e que formam o que pode ser chamado de "todo" narrativo. O enredo vai se fazendo aos poucos, passo a passo, alinhavado nos acontecimentos, entretecido de pequenas partes que convergem para um só núcleo, amparado no tempo e seu fluxo de continuidade.

Vamos ver um exemplo:

O primeiro beijo

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

- Sim, já beijei antes uma mulher.

- Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(Clarice Lispedor - in Felicidade Clandestina)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Fotografia

A fotografia oferece uma série de atribuições. As pessoas fotografam visando objetivos diferentes: recordar um momento de vida que passa, documentar um fato ou um fundamento técnico, divulgar uma visão de mundo ou simplesmente expor um conceito, uma ideia.

A Fotografia, antes de tudo, é uma linguagem. Um sistema de códigos, verbais ou visuais, um instrumento visual de comunicação. E toda a linguagem nada mais é do que um suporte, um meio, uma base, que sustenta aquilo que realmente deve ser dito: a mensagem.

A Fotografia, ao contrário do que pensamos não é uma cópia fiel da realidade fotografada. Isto porque a objetiva da câmara “filtra” essa imagem e o filme ou o sensor digital, por sua vez a distorce, alterando sua cor, luminosidade e a sensação de tridimensionalidade. Contudo, por mais que se queira apreender essa realidade em toda a sua amplitude, qualquer tentativa técnica é inútil, mesmo porque cada um de nós a concebe de modo distinto.

A Fotografia não apenas prolonga a visão natural, como também descobre outro tipo de visão, a visão fotográfica, dotada de gramática própria, estética e ética peculiar. Saber ler as imagens, distinguir os detalhes do todo, combiná-los, pode resultar num aprendizado sem fim. Embora a Fotografia gere obras que podem ser denominadas por arte, a subjetividade que há nela - já que cada um percebe e concebe a reprodução das imagens de maneiras diferentes - pode mentir, provocar, surpreender ou ainda proporcionar prazer estético.

Texto retirado de O que é fotografia, afinal? e adaptado para fins didáticos.

domingo, 10 de julho de 2011

Esculturas e a Arte Contemporânea

Os anos 50 são marcados pela acelerada expansão do abstracionismo, tanto de linhas geométricas como informais. O Concretismo, um estilo de abstração geométrica, se torna a moda do momento, sendo louvado por críticos e artistas e dominando os salões e galerias. Paralelamente assistiu-se ao desenvolvimento de uma abstração informal, e, logo se notou também um grupo de artistas que, não desejando abandonar de todo a figuração, passaram a incorporar estilizações abstratizantes a uma estrutura ainda figurativa.

Nos anos 60, as tendências continuaram se multiplicando e o abstracionismo continuou presente na maioria delas, tornando-se, tanto no campo das ideias quanto das formas, um ideal recorrente. Sua utilização implica em uma grande variedade de produções e aplicaçãoes.

A geração mais recente de escultores tem utilizado à larga e em completa liberdade recursos e materiais novos oferecidos pela indústria e tecnologia, como o computador para projetar suas obras e as resinas, borrachas e plásticos para realizá-las, e tem incorporado, conforme sua necessidade expressiva, além de todo o enorme acervo de técnicas e formas herdadas da cultura anterior, procedimentos típicos do Pós-modernismo.

A obra que vê aqui se chama "Teorema" (1987/88) e é do artista Bruno Giorgi.

Arte hiper-realista

Hiper-realismo

Hiper-realismo ou fotorrealismo é um estilo de pintura e escultura, que procura mostrar uma abrangência muito grande de detalhes, tornando a obra mais detalhada do que uma fotografia ou do que a própria realidade.

As obras hiper-realistas, por apresentarem uma exatidão de detalhes bastante minuciosa e impessoal, geram um efeito de irrealidade, formando o paradoxo: "É tão perfeito que não pode ser real".

Teve início em 1968, expandindo-se no início dos anos 70, tendo grande popularidade na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Trata-se da retomada do realismo na arte contemporânea, contrariando as direções abertas pelo minialismo e pelas pesquisas formais da arte abstrata. Se pintura e fotografia não se confundem, a imagem fotográfica é um recurso permanente dos "novos realistas", sendo utilizada de diversas maneiras. A foto é usada, antes de tudo, como meio para obter as informações do mundo, pinta-se a partir delas.

O pintor e o escultor trabalham tendo como primeiro registro os movimentos congelados pela câmera, num instante preciso. Se o modelo vivo - pessoa ou cena - sofre permanentemente as interferências do ambiente e está, portanto, sempre em movimento, a imagem registrada pela máquina encontra-se cristalizada, imune a qualquer efeito externo imediato, o que dá a ela um tom de irrealidade.

Os artistas dessa corrente artística utilizavam o recurso da ampliação fotográfica, derivada da Pop Art - movimento iniciado no EUA na década de 60 do século passado que tinha como alvo principal toda cultura de massa. O Hiper-realismo aliou essa técnica ao uso de uma meticulosa iluminação e de reflexos naturais e artificiais, que conferem uma qualidade visual fantástica a imagens cotidianas. O mundo cotidiano retratado pelos hiper-realistas, em geral, refere-se aos aspectos banais, às cenas e atitudes familiares, aos detalhes captados pela observação precisa.

As imagens que vê aqui são do artista Ron Mueck, importante nome da arte hiper-realista.


sábado, 9 de julho de 2011

Onde encontramos Arte?


Pode-se dizer que a arte é uma expressão estética, é o modo do artista entender o belo observando o seu objeto de estudo. Ela tem como um de seus principais atributos o poder de discutir as questões de sua época, de modo que vá registrando o tempo ao qual está vinculada.
Nem tudo o que é considerado belo deverá, necessariamente, ser considerado arte, e nem toda arte será considerada bela, de tal modo que, às vezes, sentimos uma sensação de que estão ocorrendo distorções acerca do que é belo.
Em todas as épocas encontramos um padrão de beleza específico e podemos perceber essas especificidades a partir, por exemplo, das roupas e dos corpos. Podemos utilizar a imagem do corpo feminino como um paradigma dessa modificação de padrão de beleza.
O belo foi, em muitos momentos históricos, definido e considerado algo objetivo e absoluto. Para gregos e romanos, belo, verdadeiro e bom eram três valores supremos. Para os gregos antigos, o bom cidadão da pólis tinha de ser belo e virtuoso. Belo (kalós) era não só o de formas proporcionais, mas também forte e são.
Não precisamos observar a fundo para perceber que a arte contemporânea não se utiliza, necessariamente, do belo como diálogo, inclusive o que se percebe é que, a partir do séc. XX, o conceito de belo é definitivamente desvalorizado no âmbito da arte. Ela manifesta-se através da busca da participação do espectador. Apesar dessa transformação da arte, o conceito de belo não desaparece completamente, pois, para quem tem como padrão de beleza uma obra de Renoir ou Leonardo da Vinci talvez tenha dificuldade de aceitar, como obra de arte e como belo, um trabalho de um artista contemporâneo, como Duchamp ou Picabia que fazem uma releitura ousada do mundo e do corpo humano.
A criação de uma peça de arte está voltada para um objetivo de expressão, ou seja, a pessoa, ao criar uma peça que possa ser tida como artística, está em busca da exteriorização suas ideias, suas sensações e seus sentimentos. Além de ser criada com o intuito de expressão/exteriorização, a peça artística procura atingir uma postura de observação e reflexão em seu espectador, ou seja, ela busca encontrar - ou gerar - uma postura de contemplação.
A arte pode ser encontrada, então, em peças e expressões que permitam ao artista a exteriorização de suas ideias e que sirvam ao objeto de contemplação, o que, por muito tempo foi ligado aos conceitos de beleza, mas que, na arte contemporânea, está mais ligado a essa dicotomia que envolve expressão e alcance.